Nutrição e a Odontologia do Esporte qual a sua relação?

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Nutrição e a Odontologia do Esporte qual a sua relação?

Primeiramente, gostaria de apresentar esta nova área da saúde que apresenta pesquisas a um longo período, mas que efetivamente foi reconhecida pelo conselho federal de odontologia no ano de 2014. A Odontologia do Esporte é a área da Odontologia responsável pelos estudos de todas as condições bucais que podem interferir de maneira direta ou indireta na performance dos atletas. Em um contexto interdisciplinar qual a relação da odontologia com a nutrição dos atletas? A digestão dos alimentos se inicia dentro da cavidade bucal, por meio de algumas enzimas, sendo assim a boca é entrada principal de todos os nutrientes energéticos responsáveis pela suplementação do atleta.

A condição da saúde bucal também pode interferir na absorção dos alimentos consumidos pelos atletas. A ausência de um único dente pode comprometer a mastigação do individuo e como nosso trato digestivo não possui dentes, os alimentos que chegam em tamanhos inadequados terão que ser digeridos quimicamente. Talvez está situação traria apenas algum desconforto a pessoas “normais” como um início de uma gastrite, mas para o atleta além deste problema a falta de absorção adequada corresponde a uma energia insuficiente para cumprir determinado treino ou prova.

Outros fatores também devem ser avaliados a nutrição dos atletas se assemelha aos não atletas? Enquanto a recomendação média de consumo de um ser humano gira em torno de 2500Kcal/dia o triatleta pode consumir diariamente 10000Kcal/dia, quatro vezes mais do que o recomentado. Por isso a importância de se avaliar a condição nutricional da modalidade praticada. Mas enfim o que isso tem a haver com a Odontologia, lembre que existe uma doença conhecida como cárie dentária. Para que ocorra a doença algumas condições são necessárias.

Uma delas é a presença de bactérias, que são encontradas em grandes quantidades na cavidade bucal, a outra condição é a presença de substrato para as bactérias que são encontradas principalmente nos carboidratos, e a última condição é o tempo para a doença se desenvolver. Em uma simples análise podemos afirmar que qualquer atleta que faça o consumo de uma grande quantidade de carboidratos tem mais chance de desenvolver a doença. E isto acontece não só pelo consumo, mas a própria atividade física pode contribuir para o desenvolvimento da doença. Quando realizamos uma atividade de alta intensidade diminuímos a produção da nossa saliva que ajuda na limpeza dos dentes e em menor quantidade a remoção de restos alimentares fica comprometida proporcionando uma diminuição do ph da boca que auxilia na desmineralização dos elementos dentários.

Uma importante consideração também está no uso de repositores de sais minerais. Vários estudos comprovam que os consumos em grande quantidade alteram o ph salivar e também podem contribuir na desmineralização do esmalte dentário. O uso prolongado destas substâncias também pode manchar os dentes e restaurações em resina. Algumas pesquisas inclusive afirmam que o consumo de repositores energéticos altera a adesão das resinas aos dentes diminuindo a vida útil do material.

Para terminar, como você observou existem muitas particularidades nutricionais que envolvem a odontologia, a cada dia o trabalho interdisciplinar deve ser visto com outros olhos, pois o desempenho dos atletas pode ser comprometido por pequenos detalhes. No esporte de alto rendimento as vezes esses pequenos detalhes podem ser a diferença entre a vitória e a derrota nos grandes eventos esportivos.

 

Eli Luis Namba

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